domingo, 7 de outubro de 2007

O homem – Adônis

Jogando conversa fora em casa de amigos, tomando uma cervejinha, ela olha para a porta do apartamento e não acredita: o homem mais fofo do mundo acaba de chegar! O moço entra na sala e cumprimenta a todos com um com um jeito tímido. Daí a pouco, já tem três sirigaitas em volta dele. O homem-Adônis é assim – a combinação de sensibilidade, carinho, e uma certa fragilidade, tornam-no irresistível para as mulheres.
Quando uma mulher conhece e se envolve com um homem-Adônis, pensa que encontrou o homem de seus sonhos. Ele é doce, manda flores para ela, faz massagem, ama a natureza, adora ler poesia, é delicado e compreensivo.
Foi o que aconteceu com Afrodite, a deusa do amor, que apaixonou-se por Adônis assim que o viu. Mas, não se sabe por que, fez a bobagem de pedir à Perséfone que ficasse com ele por um tempo. Perséfone era a Rainha do Hades, o mundo das trevas. Ela também não resistiu aos encantos de Adônis, e se apaixonou por ele. A briga entre as duas foi feia. Zeus teve que intervir – decidiu que Adônis viveria com Afrodite quatro meses por ano, quatro com Perséfone e o resto do tempo onde quisesse.
No nosso mundo, como no Olimpo, os problemas com Adônis começam a surgir quando a mulher deseja manter uma relação estável. Quando leva o homem-Adônis para casa. Geralmente é a casa dela, que trabalha e é independente. O pior é que quando a mulher decide “casar” com Adônis, ele hesita. O homem-Adônis é incapaz de tomar decisões definitivas. É ela quem insiste. Ele pode até trabalhar, mas não é ambicioso. Não gosta de assumir responsabilidades, falar de contas ou problemas práticos, como trocar lâmpadas, desentupir a pia... Como ele detesta enfrentar problemas, sobra tudo para a mulher.
Mas o traço mais difícil do homem-Adônis, na convivência, é que ora ele está adorando estar “casado” – simbolicamente, seus quatro meses com Afrodite. Ora fica curtindo suas tristezas e angústias – os quatro meses no mundo das trevas. Ora quer morar sozinho – o tempo livre que Zeus lhe concedeu. São a instabilidade e a incapacidade de decidir que enlouquecem a mulher.
Adônis teve um final trágico no mito. Não se sabe bem porque, a deusa caçadora, Ártemis, lançou um javali contra ele e o matou. Meu lado Ártemis entende. O que a mulher-Ártemis procura num homem é o companheiro, o aliado na luta do dia a dia. Quando se depara com a passividade de um homem-Adônis, sua recusa de entrar de cabeça na luta pela sobrevivência, sua dependência em relação às mulheres, tem vontade de sacudi-lo até que ele perceba a importância de tomar a direção de sua própria vida.
Afrodite, ao saber que Adônis estava morto, pediu a Zeus que o ressuscitasse. Zeus o transformou em uma flor frágil e bela, a anêmona.
A anêmona é um símbolo da transitoriedade. Tudo passa, tudo se esvai, um segundo atrás já é passado. Se você estiver apaixonada por um homem-Adônis, não procure a permanência, a relação estável. Viva o momento. Os homens-Adônis são ótimos namorados, desde que você não procure prendê-los. Como diz Vinicius de Moraes, que seja eterno enquanto dure.

Um comentário:

Ana Kuniko disse...

Olá Cecília

Só quem convive com um homem Adônis sabe que não é fácil contar com ele no dia a dia e principalemnte nos momentos de decisão. Com o passar dos anos aprendi a lidar com o homem Adônis tanto é que as deficiências não me irritam como antes, após longos anos de convivência é gratificante ter um companheiro atencioso, que sabe tudo o que vc gosta ou não gosta e te acompanha só com o olhar, sou uma felizarda.

beijos,

Ana Kuniko