domingo, 25 de novembro de 2007

A grande escolha

Zeus deu uma festa no Olimpo e convidou todos os deuses. Todos, menos um - a deusa Discórdia, que apareceu de qualquer maneira, levando uma maçã de ouro para a deusa mais bonita. Mas não disse qual. Deixou para Zeus decidir. Zeus, que não era bobo, passou a responsabilidade para Hermes. Hermes sabia que se desse a maçã para uma delas estaria comprando briga com as outras deusas. Falou o seguinte: “Só um mortal pode escolher qual a deusa mais bela, não sendo deus ele será mais imparcial.” E passou a honra a Páris, um príncipe de Tróia.
Hera disse a Páris:
- se você me der a maçã, eu lhe darei todas as terras que desejar.
Atena falou:
- se você me der a maçã, você será vitorioso em todas as guerras.
E Afrodite:
- se a maçã for minha, você terá a mulher que desejar.
Páris deu a maçã à Afrodite e isto o levou a guerra de Tróia.
Nós, mulheres temos que fazer a mesma escolha de Paris. Nós todas temos as três deusas dentro de nós. Se dermos a maçã a Hera, ela vai nos dar um casamento sólido, com segurança financeira. As mulheres-Hera são respeitadas na sociedade – são vistas como senhoras sérias e responsáveis, as matriarcas. Se entregarmos a maçã à Afrodite, ela nos dará muito prazer na vida. As mulheres-Afrodite vivem intensamente, fazendo o que gostam, procurando a satisfação pessoal mais do que status, ou dinheiro, mesmo no trabalho. Também podemos dar a maçã a Atena, que nos dará realização profissional, sucesso nos negócios, status e competência.
Então para quem dar a maçã?
Na grande festa da vida não podemos esquecer nem do amor, nem de cuidar de nossa profissão e posses.

domingo, 18 de novembro de 2007

Hefesto e Afrodite

Por que Afrodite, deusa do amor e da beleza, casou-se com um deus que vivia para o trabalho e não tinha tempo para ela?
Por que mulheres criativas, com sede de viver, casam-se com homens que vivem só para o trabalho?
É difícil entender por que Afrodite, que já tinha sido amante de Hermes, Dionísio, Adônis, deuses que foram carinhosos e atenciosos com ela, casou-se com um deus que não a compreendia e a humilhava.
Da mesma maneira, é difícil entender porque uma mulher Afrodite, que já ficou com homens que a admiram e respeitam, bons de papo, bons de cama, casa-se com um homem que só trabalha e a acusa de ser pervertida apenas por querer ir a uma festa. Homens que não dançam, não gostam de sair e nem de conversar.
O mito pode nos dar uma dica sobre esta questão: foi Zeus que obrigou Afrodite a se casar com Hefesto.
Em nossa sociedade patriarcal, o que a mulher-Afrodite busca no casamento é segurança. O homem-Hefesto a atrai porque a lembra de uma montanha – sério, responsável, calado, seguro. Ele oferece um casamento estável a ela.
Mas, mais tarde, ela descobre que a montanha é um vulcão – que ele é possessivo, egocêntrico, e que não tem tempo para ela.
Mas, se os dois souberem se respeitar mutuamente, o casamento entre a mulher-Afrodite e o homem-Hefesto pode dar certo. Eles poderão ser felizes trabalhando juntos, produzindo coisas maravilhosas. Afinal, a união entre Hefesto e Afrodite representa a união entre trabalho, amor e beleza.

domingo, 11 de novembro de 2007

Humano, demasiadamente humano

Naquela sexta, Hefesto, como sempre, passou a noite inteira trabalhando na oficina. Chegou em casa ao amanhecer, exausto, abriu a porta do quarto e não acreditou no que via: sua esposa Afrodite na cama, completamente nua, ao lado de Ares. Respirou fundo, fechou a porta discretamente. “Que vergonha!” pensou. “Corno! Traído por minha mulher e meu próprio irmão! Vou pagá-los na mesma moeda: quero que passem vergonha em frente a todo o Olimpo! Voltou para a oficina onde, com sua arte, fabricou uma rede invisível.
No dia seguinte voltou para casa como se nada houvesse acontecido e, sem que Afrodite percebesse, armou a rede sobre a cama.
Na noite seguinte, assim que Ares e Afrodite se abraçaram, ficaram presos na rede, que era mágica. Nem mesmo a força de Ares foi suficiente para libertá-los.
Até parece peça de Nelson Rodrigues, mas é mito grego: Hefesto é nada menos que o grande artesão do Olimpo, um deus disforme e aleijado, cuja oficina ficava em uma caverna sob o vulcão Etna, na Sicília. A mulher que o traía era Afrodite, a deusa do amor, que havia casado com o mal humorado ferreiro dos deuses contra a sua vontade; e seu amante era o poderoso e másculo deus da guerra, Ares. Casada à força com um aleijado, Afrodite preferia o atleta.
Quando viu os amantes culposos presos na rede, Hefesto chamou todos os deuses do Olimpo e expôs Ares e Afrodite pelados, numa posição constrangedora à humilhação pública. As deusas se recusaram a presenciar tamanha pouca vergonha. Os deuses tiveram reações variadas. Hermes perguntou a Apolo: Como você se sentiria apertadinho contra Afrodite nesta rede? Apolo sorriu. Posídon não gostou nada da história: os três eram sobrinhos seus, como ficava a honra da família? Era preciso evitar que o escândalo se tornasse público. Tentou ser razoável com Hefesto, que estava fora de si. Há quem diga que Posídon acabou ajeitando a situação. Em outra versão, Dionísio levou Hefesto para um bar e, depois de muito vinho e muito papo, o marido traído concordou em soltar os adúlteros.
Este mito faz de Hefesto, simbolicamente, o deus dos maridos traídos. Porque logo ele? Porque não Apolo, Posídon, Hermes, ou qualquer outro? Porque, em termos modernos, Hefesto é o deus dos workaholics, dos apaixonados pelo trabalho, dos que nunca tem tempo para a mulher e os filhos. Afinal, a história começa com “como sempre, Hefesto passou a noite inteira trabalhando na oficina...”
É interessante observar as diferentes reações de cada um dos deuses diante do episódio. É fácil entender que Hera, a deusa do casamento e da fidelidade conjugal, não quisesse ver “esta pouca vergonha.” Mas e as outras deusas?
O mito detalha um pouco melhor a reação dos deuses. Hermes, Dionísio e Apolo, deuses-filhos, não parecem muito chocados. Já Posídon, deus-pai, se preocupa com que os outros vão pensar, com a imagem do Olimpo.
Humano, demasiadamente humano, como diria Nietsche.

domingo, 4 de novembro de 2007

Homem-Ares

Quando estourou a guerra de Tróia, Ares se aliou aos gregos. Era um aliado e tanto. Afinal, era o poderoso deus da guerra. Quando soube, porém, que os gregos haviam matado um filho seu, a ira fez com que muda-se de lado, esquecendo quaisquer considerações políticas ou estratégicas. Ares era assim: tomava decisões por impulso, agia primeiro e pensava depois.
O homem-Ares também corre o risco de tomar decisões precipitadas. É impetuoso, emocional, apaixonado, um homem de ação. Facilmente dominado pelas emoções. Ele gosta de desafios e é atraído pelo perigo. Na psicologia empresarial, ele é conhecido como o homem Alfa.
Atena também era a deusa da guerra, mas ela era muito diferente de Ares. Para ela a guerra era como um jogo de xadrez. Para Ares como um jogo de boxe.
O homem-Ares gosta de praticar esportes radicais, automobilismo, alpinismo ou voar de asa delta. A combinação de perigo e desafio o atrae.
Quando um homem viril, impulsivo e emocional como Ares, se apaixona por uma mulher, ele geralmente vira um doce, é carinhoso, mas vai direto ao que mais lhe interessa: sexo. Na mitologia Ares era o amante de Afrodite, e se davam muito bem. Tiveram três filhos: Phobos(medo), Deimos (terror) e Harmonia.
Medo e terror é o que o deus inspirava na guerra. O homem-Ares pode ser dominado pela raiva e se tornar assustador para uma mulher, mas a união do masculino e do feminino, representados por Ares e Afrodite também podem gerar a harmonia.