sábado, 29 de setembro de 2007

Zeus e as mulheres

Antes de mais nada, muito obrigado pelos comentários. Estou adorando saber o que vocês pensam. Wagner garante que a presença de um perfil num homem não anula a presença de outros; o que ocorre é uma predominância de um ou outro em diferentes situações. Concordo. Como disse o Álvaro: “ora homem-mãe, ora homem-irmão, ora homem-chefe, ora homem-sócio, ora homem-sol.”
Ora homem-Zeus. No mito, Zeus casou-se com Hera. Afinal, ele tinha que casar e gerar filhos – é o deus da fertilidade. Um de seus símbolos era a chuva, que fecunda a terra. Quando queria seduzir uma mulher, ele se transformava no objeto de desejo dela. Transformou-se em cuco para Hera, em touro para Europa, em cisne para Leda, etc. Com todas gerou deuses e heróis.
Zeus é o grande fertilizador, o criador da Grécia: ele cria um novo mundo, diferente do mundo rural de Cronos. Os filhos que ele teve com as amantes fundaram as polis, as cidades gregas, berço da civilização ocidental.
O homem-Zeus herda as qualidades e defeitos do deus. Sua maior qualidade é a capacidade de criar “novos reinos”, novas organizações e empresas, e saber administrá-los. Seu maior defeito é ser mulherengo. Para seduzir, o homem-Zeus toma a forma desejada pela mulher. Se ela é romântica, ele declama poesias; se ela deseja um pai, torna-se protetor; se ela for independente, ele se faz liberal e “moderno”.
Carl Gustav Jung era um homem-Zeus. Criou um novo “reino” – a psicologia analítica. Deixou muitos filhos espirituais, de ambos os sexos. Mas, dizem as más línguas, era um mulherengo, e algumas de suas discípulas foram também suas amantes.
Na política, John Kennedy é outro bom exemplo de homem-Zeus. Kennedy renovou a política americana, mas nem Marilyn Monroe escapou de seus poderes de sedução. Nas artes, o exemplo é Picasso, que casou com cinco mulheres diferentes, e traiu todas.
Não é difícil entender por que Hera, a esposa legítima de Zeus, era a deusa do ciúme. A mulher-Hera cuida da casa, dos filhos, das compras, oferece ao marido uma estrutura para que ele possa trabalhar e criar. Um bom exemplo de mulher-Hera é Hillary Clinton (tão poderosa quanto o marido. Afinal Hera participava ativamente nas intrigas de poder no Olimpo).

sábado, 22 de setembro de 2007

O Homem Zeus e o poder

Minha amiga Rosa levantou uma questão importante: e como fica a mulher de um homem Cronos? E os filhos? O mito nos dá uma pista. Quando Réia pariu Zeus, entregou a criança às ninfas das montanhas para salvá-lo do pai. Enrolou uma pedra num manto e deu para Cronos, que a engoliu pensando ser o filho. A mulher Réia não confronta o marido, mas protege os filhos usando de artimanhas.
Zeus cresceu, derrotou o pai e impôs um novo tipo de patriarcalismo, menos arcaico. Obrigou Cronos a vomitar os filhos que havia engolido, e dividiu o mundo em três reinos com os irmãos: a Posídon cedeu o reino dos mares, a Hades o submundo. Ele próprio ficou com o Olimpo e a Terra, a parte do leão. Era um patriarca que, ao contrário do pai, sabia delegar poderes.
O patriarcalismo à maneira de Zeus ainda impera na sociedade moderna – pergunte a qualquer feminista. Porém antigamente o chefe, o rei, ou pai mandava e os empregados, súditos, filhos obedeciam sem discutir. Hoje o conceito de chefia mudou.
Nos MBAs, cursos de formação para executivos, os “chefes” do mundo contemporâneo, pipocam cursos de liderança. Note bem – liderança, não chefia. Jack Welch, o executivo-chefe mais admirado da década de 90, chegou a dizer que a função de um presidente de empresa é “dar aos empregados dignidade e voz.” Goleman, um expert no assunto, diz que ser líder é criar estratégias, motivar, criar uma missão, construir uma cultura, obter resultados.
A função do chefe, ou do pai, hoje, não é mandar - é convencer.
Na relação com os filhos Zeus também foi muito diferente de Cronos. A Ártemis, ele deu instrumentos para caçar. A Hermes, deu a função de mensageiro dos deuses. Salvou Dioniso da fúria de Hera. Sua filha Atena tornou-se seu braço direito.
O Zeus moderno investe nos estudos dos filhos, os orienta profissionalmente, os salva de enrascadas, cuida e protege (desde que sejam promissores e brilhantes...). Mas ainda é ele quem manda.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Homem Cronos

Meu pai era um típico homem Cronos. Era severo, exigia ordem e disciplina, era firme em suas convicções, para não dizer teimoso como uma mula. Cronos foi retratado por muitos artistas como um velho engolindo seus filhos. Quando eu era criança, tinha muito medo dele.
O mito conta que uma profecia havia previsto que um dos filhos de Cronos o destronaria. Por isso, toda vez que sua esposa Réia paria um filho, ele a obrigava a entregá-lo para ser engolido.
Os homens da geração do meu pai, principalmente aqueles que vieram de uma sociedade rural, parece que já nasciam velhos. Eram ensinados a tratar a esposa como uma mera procriadora, e os filhos como pequenos adultos. Muitos engoliram seus filhos, criando neuroses por falta de carinho e afeto paterno, destruindo a auto-estima dos todos que os cercavam, não os deixando estudar, tolhendo o crescimento pessoal.
Hoje o homem Cronos é coisa do passado. Mas será mesmo? No blog da Adriana ela comenta como o machismo ainda está presente. É impressionante, mas numa mesma década vivem pessoas de diversas décadas.

Mudando de assunto: adorei os comentários que recebi. A todos que fizeram comentários, um abraço gostoso pelo carinho, que é recíproco. Minha amiga Rosa comentou sobre a importância de conhecermos também os arquétipos femininos, com o objetivo de descobrir nosso Eu. No futuro pretendo falar sobre o feminino; mas ao conhecer o homem, a mulher está conhecendo a si mesma, afinal é através do outro que nos descobrimos.
Meu amigo Castelar comentou sobre a relatividade do sistema de tipologia, não somos sempre a mesma coisa, variamos de acordo com o momento. Concordo. A tipologia é apenas um roteiro para iniciarmos a jornada do auto- conhecimento. O homem Cronos, por exemplo, não é apenas um tipo masculino, é um personagem que vive dentro de cada um de nós. Aquele velho chato que vive nos dizendo que não somos capazes, que confunde responsabilidade com culpa, respeito com submissão, ordem e disciplina com prisão.

sábado, 8 de setembro de 2007

Começo de papo

Happy hour, aquele zumzum de gente que passou o dia entre telefonemas, reuniões, preocupada com relatórios, prazos, resultados, felizes agora por poder, finalmente, tomar seu chopinho e falar abobrinhas. Uma mulher que lembrava vagamente Júlia Roberts, disse naquele tom de quem descobriu que Papai Noel não existe: “Homem é tudo igual”. Vivo ouvindo esta frase: homem é tudo igual. Na terapia, em conversas de amigas, no metrô, e até na televisão. Eu mesma afirmava isto, quando um namoro não dava certo. Mas será que os homens são todos iguais? De cabeça fria, qualquer mulher sabe que isso não é verdade. Um treinador de academia não é igual a um professor universitário.
Jean Shinoda Bolen, uma psicóloga americana, divide os homens entre homens-pais e homens-filhos. Os homens-pai, de modo geral, dão à mulher a sensação de segurança, proteção, estabilidade. Porém, podem cercear sua liberdade e tratá-la como filha. Os homens-filho, por outro lado, são excelentes companheiros, estimulam a mulher a expandir seus horizontes, lutar ao seu lado e enfrentar a vida. Mas também têm seus perigos – muito homens-filhos estão a procura de uma mãe, não uma mulher. Shinoda subdivide estes dois grupos principais em vários tipos, o homem-Zeus, o homem-Dioniso, Hermes, Apolo, etc. Não esgota o assunto, mas é um bom começo.
Talvez seja devido a esta variedade que nós, mulheres, falamos tanto sobre homens. É uma tentativa de compará-los, separar o joio do trigo. O interesse é tanto e tão grande que, volta e meia, minhas clientes me pedem para dar um curso sobre arquétipos masculinos. Um curso destes começa quinta-feira que vem, e gostaria de trazer a discussão para este espaço. Conto com sua contribuição neste papo.